Reprodução redes sociais/Insetos Guiga

Colorido e pouco conhecido, o Cissites maculata, besouro popularmente chamado de “arrebenta-boi” chama a atenção pelo nome e pela toxina que pode causar a morte em animais e queimaduras na pele de humanos. O animal pertence à família Meloidae e possui uma grande diversidade de espécies no Brasil.

De acordo com o mestre em zoologia na Univerdade Federal da Paraíba (UFPB) João Paulo Nunes, o inseto adulto pode medir entre 3 e 4 centímetros e apresenta coloração laranja com manchas escuras, característica típica de animais que possuem substâncias tóxicas.

“Ele tem uma cor muito chamativa: é laranja com umas pintas pretas, uma cor bem vibrante. Geralmente, quando o inseto tem essa coloração, isso é um alerta, um sinal de que ele está dizendo: ‘ó, fica longe de mim, porque, se você chegar perto, vai ter consequências’”, destaca.

Além disso, o especialista informa que esse tipo de coloração indica que o animal pode ser venenoso, produzir alguma toxina ou simplesmente ter um gosto impalatável.

O nome popular “arrebenta-boi” está associado à toxina chamada cantaridina, capaz de levar bovinos à morte. Quando o inseto é pressionado ou se sente ameaçado, libera a substância, que provoca queimaduras na pele e, se ingerida, pode causar hemorragias internas.

“Se o ser humano ingerir a substância, por exemplo, ao levar a mão à boca depois de tocar no besouro ou até mesmo comer o inseto, pode ocorrer hemorragia interna. Por isso, ele é altamente letal”, alerta Nunes.

Apesar da fama, o especialista afirma que o risco de bovinos ingerirem o inseto é baixo, pois eles não são abundantes. Não é comum encontrar muitos indivíduos no mesmo local, o que dificulta a ocorrência de grandes prejuízos.

Comportamento

Segundo Nunes, a fase larval do besouro tem comportamento chamado de cleptoparasitismo, termo que se refere ao ato de “roubar” o alimento de outro animal.

As fêmeas depositam ovos próximos ao ninho de abelhas solitárias, conhecidas como mamangavas, que costumam se instalar em pedaços de madeira e troncos de árvores caídas. Quando as larvas eclodem, elas se agarram ao corpo da abelha e conseguem acessar o interior do ninho, onde passam a consumir o alimento reservado para as crias.

“Tem relatos de que uma fêmea já conseguiu colocar mais de 20 mil ovos, ou seja, 20 mil larvas pequenininhas daquele besouro ficam ali perto. Quando a abelha chega, essas larvas são bem ágeis nos primeiros estágios de vida e se agarram a qualquer parte do corpo da abelha”, conta Nunes.

De acordo com o pesquisador, essas larvas acabam consumindo a comida das abelhas, e suas crias morrem por falta de alimento. É por isso que o besouro é considerado um cleptoparasita, o que significa que ele não se alimenta diretamente do hospedeiro, mas rouba a comida dele.

Na fase adulta, o comportamento muda: o besouro passa a se alimentar de plantas, flores e pólen, vivendo associado à vegetação. Por isso, pode acabar sendo ingerido acidentalmente por bovinos durante o pastejo.

Região onde habita

Segundo Nunes, há registros do besouro em praticamente todo o território brasileiro, com exceção de Roraima. A distribuição, no entanto, não se limita ao nosso país. O inseto também ocorre em outros pontos da América do Sul e pode ser encontrado até o sul do México.

As abelhas mamangavas estão distribuídas em praticamente todo o mundo. Como o besouro depende desses insetos para sobreviver, a área de ocorrência dele tende a acompanhar a distribuição das abelhas.

Orientação

A orientação é evitar o contato direto com o besouro. Em caso de presença no pasto ou dentro de casa, o ideal é remover o inseto com um recipiente, pinça ou luvas resistentes e soltá-lo em área de vegetação.

Além disso, o besouro exerce função ecológica importante, afinal, ao controlar a população de determinadas abelhas, contribui para o equilíbrio da cadeia alimentar. “Mesmo sendo um animal que pode causar acidentes, ele cumpre um papel no ambiente. O ideal é não matar e apenas afastar do local”, conclui o pesquisador.

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